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A leitura começou assim que sentei na salinha da escola onde estou fazendo a adaptação da minha filha de dois anos e meio. Tenho feito leituras nesta sala nos últimos dias, e devo concordar com quem tem dificuldade para ler com barulho, ainda mais barulho de criança pequenina; que cai, chora, grita e vem sempre dar uma olhadinha para ver quem é aquela pessoa que está sentada na salinha dos professores.Bem, fui despreparada, sem o tal dicionário sugerido pela Márcia na aula passada. Paciência, resolvi sublinhar as palavras e depois procurá-las. Aliás, acabo de colocar no Blog um link para o Michaelis online, e vou aproveitar este momento para repassar as palavras que achei interessante pesquisar, embora algumas eu tenha sempre inferido seu significado.Consegui ler as primeiras sete páginas do texto, quando tive que parar, pois hoje em vez de sair as três e meia, me disseram para sair antes. Marquei o ponto em que parei e fui falar tchau. Saí e fui resolver umas matrículas no clube, tomei um café e sentei em uma cadeira à sombra para continuar a minha leitura. Como continuava sem o dicionário, fui riscando as palavras que se me perguntasse o significado, gaguejaria para responder, e muito provavelmente responderia não saber.A leitura foi mais rápida do que imaginava que seria, e como hoje é meu dia de rodízio, cheguei mais cedo no curso. E aqui estou eu, falando mais do meu processo para conseguir ler o texto, do que o meu processo de leitura propriamente dito, ou seria lido?Bom, A leitura foi fácil e prazerosa, mas faltaram as palavras. Ei-las:- PROMONTÓRIO-Porção de crosta terrestre, no litoral de um continente ou ilha, que avança para o mar, apresentando estreitamento da sua largura entre a terra e a sua extremidade.
- IÚCAS-(não achei no dic., mas no google sim: As iúcas podem atingir uma altura considerável (até 12m) no seu habitat natural, ... As iúcas cultivadas no exterior produzem panículas de flores com um – mas o link não funcionou!) Aí achei na Wikipedia a descrição e uma fotinho, embora hajam mais de 40 espécies.
- CONCIERRGERIE-Não achei!
- DESDENHAVA-1 Mostrar ou ter desdém por: "Desdenhar de filosofias" (Machado de Assis). vtd e vti 2 Desprezar como indigno de si: Desdenhava a frivolidade. Não desdenho de ser o autor deste livrinho. vtd 3 Repudiar com desdém: Desdenhava a bajulação. vtd 4 Considerar desdenhosamente; menosprezar: Sempre desdenhou as coisas do país.
- SOPESÁ-LOS-1 Tomar com a mão o peso de: "Tomou o animal, sopesou-o com ambas as mãos" (Júlio Ribeiro, ap Fr. Fernandes). vtd 2 Equilibrar tomando o peso; suspender na mão; suspender e vibrar para o arremesso: Sopesar a lança, o dardo. vtd 3 Sustentar o peso de: Os esteios sopesam o telhado. vtd 4 Conter, sofrear, sopear: Sopesar a irritação, o mau-humor. vtd 5 Distribuir com regra e parcimônia: Sopesar os gastos. vpr 6 Ficar em equilíbrio; equilibrar-se: O acrobata sopesava-se no delgado cabo. Sopesa-se nas asas (a ave, o avião). vpr 7 Fugir (a ave) começando por dar saltos diante do caçador.
- FORNIDAS- 1 Carnudo, nutrido, robusto. 2 Provido, abastecido.
- INTERLÚDIO- Trecho que se intercala entre as diversas partes de uma longa composição.
- ATORDOADO-1 Causar atordoamento a: O homem o atordoava. Atordoava a criança com o muito balançá-la. vint 2 Causar abalo ou perturbação dos sentidos: A bajulação atordoa. vint 3 Ficar estonteado. vtd 4 Causar assombro a; maravilhar. vtd e vint 5 Importunar, molestar os ouvidos.
- ACEDEU-1 Aderir, anuir, aquiescer, assentir (à opinião, ao convite, à proposta de alguém): Aceder ao convite. Acedeu facilmente. vti 2 Conformar-se: Aceder ao imperativo da situação. vti 3 Dir Conformar-se, nas concordatas, com o estipulado pela maioria dos credores. vtd 4 Acrescer, ajuntar: "À clareza... acede elegância mais formal e positiva" (A. F. de Castilho).
- ENLEVO-1 Ato de enlevar. 2 Arrebatamento, arroubo. 3 Coisa que maravilha; assombro. Pl: enlevos (ê).
Se bem me lembro do meu passado - eu hoje já com trinta e cinco - e se não, quem estiver lendo que me perdoe a falta de detalhes mais ricos. Pois a memória que tenho já não tem fatos concretos ou pré concretos, são mais sensações vagas, que apenas me dão a certeza de que superei conflitos. Lembro de uma de minhas primeiras redações cujo tema era o apavorante: "Minhas Férias". Fiquei a olhar o papel por horas a fio, para mim uma eternidade, mas na verdade foram minutos pois a aula demandava a escrita da tal redação. A professora orientou que quem tivesse dificuldade ou quisesse, poderia fazer um esquema para ajudar a elaborar o roteiro da redação. Plim! Era o que eu precisava! Poderia usar caminhos de linhas para ligar as lembranças de todos os acontecimentos, e ainda fazer flechas ou até mesmo numerar para poder ordenar todos os fatos e assim elaborar a dissertação. Lógico que não me passavam pela cabeça essas nomenclaturas, mas a idéia de poder fazer quadrinhos com os fatos, ao invéz de redigir um texto que os contivesse era para mim muito mais atraente. A lembrança, ou melhor, a sensação que tenho é de que apesar de achar que o método fosse me ajudar, não consegui redigir um texto coerente. Tenho no fundo uma sensação de mal estar ao lembrar desta situação. E asim foi, durantes os próximos anos, que seguiram à minha terceira ou quarta série primária. Aquele acontecimento, aquela dificuldade, persistiu ecoando por um longo tempo. E o tempo passou e o medo de escrever continuou. As provas vieram e História era um terror! Além de ter dificuldade para entender os fatos, - pois não concordava com eles e logo me colocava a pensar em novas soluções para o passado, o que era por si um absurdo, mas não para mim -, ainda tinha dificuldade para redigir um texto coerente. Imagine! Escrever sobre um acontecimento que para mim não era justo de ter acontecido! E se eu escrevesse era como se eu concordasse com aquilo! É, só fui ter conciência de que este era o ponto crucial, numa conversa com meu professor de filosofia no segundo colegial. Quando fui indagar o fato de todos os meus comentários em aula serem taxados de subjetivos, quando na verdade achava que eram extremamente úteis objetivamente. Foi ótimo! Uma gelada, foi o que ele me deu, com o sorriso mais amável que podia ter expressado. Ele disse: — "Não queremos saber o que VOCÊ pensa sobre o assunto, queremos entender o que o FULANO quis dizer. Quando você faz comentários do seu ponto de vista, você afasta a discussão que estamos fazendo das idéias de Fulano. Este não é o objetivo do curso, por mais que as suas idéias sejam interessantes." Talvez as aspas não sejam adequadas, pois obviamente não foram exatamente estas as palavras ou frases utilizadas em seu discurso, mas o conteúdo é precisamente este, e as aspas estão como um recurso para que o discurso possa ser exposto. Bastou! Anos de sofrimento, de incompreensão, de olhares tortos, de notas baixas em matérias que exigiam redação. Sim a distinção entre o Objetivo e o Subjetivo tinha feito a diferença. Desde então, me esforço para não fugir ao que o autor discute, mesmo que não concorde. A idéia de um texto novo é sempre uma expectativa, mas bastante controlada. Quando acho algo que concordo, leio de novo atentamente para ter certeza de que posso estimar o autor. Mas deixando a leitura de lado, pois estou tentando falar da escrita, o fato ajudou muito, principalmente porque estão interligados, acredito eu. Não podemos escrever bem se não soubermos ler corretamente. Para atingir um leitor é preciso ter a experiência de alcançar um escritor durante a leitura de seu texto. E foi assim, com esse controle, não na ponta de língua apenas, mas na ponta dos olhos, que eu pude discernir o que era relevante, o que era a causa e qual era o objetivo do texto. Aliás, ficou tão mais fácil não ter que provar os meus argumentos, mas apenas citar os argumentos utilizados por outrem, que já partia da idéia do objetivo da resposta e tinha que fazer o caminho inverso para poder redigir um texto coerente com começo meio e fim. Assim, sempre me vejo escrevendo ao contrário, achando fatos anteriores e tendo que apertar o rascunho para colocar novas anotações. São rascunhos e mais rascunhos: rascunho de idéias, rascunho de texto cru, rascunho mais elaborado, e assim sempre foi do rascunho do rascunho até o texto final. Ainda bem que já há um tempo, com o uso do computador, o processo ficou muito mais econômico, tanto ambientalmente - em relação ao papel gasto -, quanto em relação ao arquivo utilizado. =>Este texto foi escrito em etapas: primeiro o parágrafo final, depois toda a história sem parar de escrever, e por fim, o paragrafo acima foi adaptado para seguir a mesma linha do texto que acabou. Agora vou fazer uma leitura para ver os erros de digitação e concordância. Obrigada pela paciência de quem teve para ler o que aqui está escrito. (Fiz pequenas correções, mas o texto continua com o desabafo característico deste momento.) Abraços a todos!