quinta-feira, 20 de março de 2008

Um recorte de Sartre (fonte: wikipedia.org)

Desde Platão, quando temos o nascimento da linguagem filosófica (em forma de diálogos), a preocupação desta é o universal em detrimento do particular. E, agora, a existência toma seu lugar na discussão filosófica, partindo de questões cotidianas, e caminhando em direção à universalidade.

Órfão de pai desde os dois anos, Sartre sofreu as primeiras influências por parte de sua mãe Anne-Marie e de seu avô Charles Schweitzer, que o iniciou na literatura clássica desde cedo.

Fez seus estudos secundários em Paris, no Lycée Henri IV, onde conheceu Paul Nizan. De 1922 a 1924, estudou no curso preparatório do lycée Louis-le-Grand. Nessa época despertou seu interesse pela Filosofia, influenciado pela obra de Henri Bergson. Em 1924 ingressou na École Normale Supérieure, onde conheceu, em 1929, Simone de Beauvoir que se tornaria sua companheira e colaboradora até o fim de sua vida.

Sartre e Beauvoir não formavam um casal comum de acordo com padrões da época. Ambos possuíam amantes, e partilhavam confidências sobre suas relações com outros parceiros. Este modo de vida violava os valores da tradicional sociedade francesa, que se escandalizou com essa relação.

Considerado por muitos o símbolo do intelectual engajado, Sartre adaptava sempre sua ação às suas idéias, e o fazia sempre como ato político. Em 1963 Sartre escreve Les Mots (As palavras, lançado em 1964), relato autobiográfico que seria sua despedida da literatura. Após dezenas de obras literárias, ele conclui que a literatura funcionava como um substituto para o real comprometimento com o mundo. Em 1964 vence o prêmio Nobel de literatura, que ele recusa pois segundo ele "nenhum escritor pode ser transformado em instituição".

Cronologia

1905 - Sartre nasce em Paris em 21 de junho.
1907 - Morte de seu pai. Muda-se para a casa do avô materno, em Meudon; retorna a Paris quatro anos depois.
1924 - Sartre matricula-se na Escola Normal Superior, em Paris. Conhece Simone de Beauvoir.
1931 - É nomeado professor de filosofia no Havre.
1936 - Sartre publica A Imaginação e A Transcendência do Ego.
1940 - Servindo na guerra, Sartre é feito prisioneiro pelos alemães e enviado a um campo de concentração.
1941 - Liberto, volta à França e entra para a Resistência. Funda o movimento Socialismo e Liberdade.
1943 - Publica O Ser e o Nada.
1945 - Sartre dissolve Socialismo e Liberdade e funda, com Merleau-Ponty, a revista Les Temps Modernes.
1952 - Sartre ingressa no Partido Comunista Francês.
1956 - Rompe com o Partido Comunista. Escreve O Fantasma de Stálin.
1960 - Sartre publica Crítica da Razão Dialética.
1964 - Publica As Palavras. Recusa o Prêmio Nobel de Literatura por acreditar que "nenhum escritor pode ser transformado em instituição"
1968 - Durante a revolta estudantil na França e em várias partes do mundo, Sartre põe-se ao lado dos estudantes da barricada.
1970 - Sartre assume simbolicamente a direção do jornal esquerdista La Cause de Peuple, em protesto à prisão de seus diretores.
1971 - Publica O Idiota da Família.
1973 - Colabora na fundação do jornal libertário Libération.
1980 - Morre em 15 de abril.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Contextos da e para a vida.

Na última aula, depois de ter ouvido o que a Carlinha falou sobre gostar de ler e comentar os blogs, que a experiência foi muito gratificante, e depois de todas as outras boas experiências, relatadas pela maioria das presentes, fiquei numa tremenda inquietação, pois a minha experiência tinha sido de sofrimento. Então, ao final da aula, não resisti e resolvi falar sobre isso. Levantei a mão me expondo, e falei o quão difícil foi fazer os comentários, pelo fato de querer comentar o que me chamou a atenção nos textos, precisamente o uso da gramática, ou melhor, a falta dele. Falei o quanto foi ártuo achar uma forma de desviar desse obstáculo para conseguir escrever um texto que fosse bom para quem precisa de incentivos e não de podas. Resolvi que falaria pessoalmente, e pediria a permissão para comentar os usos da língua nos devidos blogs. Mas afinal, de quem é o papel de fazer estes comentários? Não seria do professor? Mas a professora não o faz, provavelmente tendo suas razões, será que eu devo fazê-lo? Saí da aula achando que as pessoas não acharam muito legal o que eu havia colocado. E como poderiam!?

Na sexta, cheguei na aula de História achando que iam me jogar as coisas em cima, que alguém ia falar que eu me achava a tal, mas para a minha surpresa não foi o que aconteceu. Que bom, meu processo de fala tem melhorado muito, antes eu falava as coisas de um jeito que só fazia inimigos. E não é, sinceramente, o que pretendo em vida.

Como se não bastasse o mal-estar anterior, no domingo fiz uma postagem aqui sobre liberdade ao escrever "Porquês e para quem", em decorrência da leitura do texto da Márcia "Ser autor", postado em seu blog. Estava profundamente incomodada com o tema, afinal, qual era a minha liberdade ao comentar os blogs? E também, agora, com a minha postagem. Será que vão entender o que quero dizer? Ninguém cometou ainda... Será que apago? Não vai adiantar, já foi por e-mail e a Márcia já já vai saber!

Resolvi me conter e desviar meus pensamentos para ficar menos angustiada. Foi quando anteontem, folhando a veja que estava ao alcance da mão livre, enquanto a outra segurava um cigarro, cheguei à matéria sobre livros. Na foto um Senhor, na legenda o texto: "Evanildo Bechara: o encanto com o estudo de línguas fez com que ele desistisse da engenharia". - Detalhe: a princípio, havia lido Evaldo (conheço um Evaldo Bertacco, artista plástico). Ah, que interessante - pensei, sem me dar conta de que havia lido o nome errado -, e comecei a ler o texto.

Autor da "Moderna Gramática Portuguesa", ele chama a atenção para alguns preciosismos da língua como "risco de vida" e "correr atrás do prejuízo" entre outros. Achei deveras interessante a argumentação, corretíssima! No primeiro caso, corremos um risco de morte, e no segundo, diz ele, vamos sempre atrás do lucro. Eu já estava dialogando com o texto, quando Bechara me disse condenar o uso das regras do português como ferramenta de opressão. Concordei, não é a minha intenção oprimir ninguém, muito pelo contrário, estou fazendo o curso para descomprimir o ser humano! Ele entendeu. Mais adiante ele disse: "Os sociolingüistas acreditam que ensinar a língua-padrão é uma forma de preconceito social. É um erro. O domínio do padrão é parte essencial da competência lingüística do falante". Com certeza, para uma boa transmissão, ambos, o leitor e o escritor, devem ser competentes em suas funções. Caso contrário, a incompetência de um torna o outro também incompetente! Será? E se for, o que fazer?

Veio à minha mente o texto de domingo, quando li a frase mais interessante do texto: "A língua reflete a liberdade do homem. É uma disciplina em que existem regras, mas acima delas está a intenção expressiva de cada falante e de cada escritor." Adorei o encontro! Ah, o livro da matéria é: "Homenagem: 80 Anos de Evanildo Bechara" (Nova Fronteira/Lucerna; 200 páginas; 29,90 reais). Mas como diz Cláudio Moreno, professor de português aposentado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e coordenador do programa de português do Colégio Leonardo da Vinci, de Porto Alegre: "A Moderna Gramática Portuguesa é o melhor que o Brasil tem em termos de gramática. Bechara é um acadêmico tradicional que os que querem ser modernos deveriam ler".

Para quem quiser tirar dúvias de escrita, gramática, morfologia, semântica etc..., achei um link muito útil (Info escola - português), que está disponibilizado na minha lista de links: Linkando ao mundo. Bom divertimento para quem quiser pesquisar antes de escrever!

E para quem quiser ver a matéria do Evanildo online:
clique aqui

A leitura em voz alta - João Cabral de Melo Neto

Sem ler previamente o texto, nem saber do que se tratava, me concentrei e comecei a ler as respostas de João Cabral às perguntas feitas pelo entrevistador dos Cadernos de literatura brasileira, do Instituto Moreira Salles, realizada em 1996.

Embora fosse um nome familiar, não sabia exatamente quem era ou fôra João Cabral. Um escritor, presumo, e segui a leitura, tentando incorporar o personagem, que me parecia saber muito bem do que falava, e ter uma oponião bastante rígida a respeito do assunto tratado.
Ao final da leitura ficou uma grande e geral inquietação, causada pela sua afirmação de que na escrita conta mais o planejamento do que a inspiração. Outros pontos também foram questionados, como por exemplo o fato de relacionar a poesia ao ato de construção de uma casa, e ainda dizer que seu planejamento era de fora para dentro.

Confesso que como leitora, ou oradora no caso, apreendi algumas idéias erroneamente, e na discussão pude reparar essas falhas para melhor compreender o texto. Mas ainda assim, fica uma questão bastante pertinente:
Se a inspiração pode ser entendida como o ato de preencher os pulmões (que estão dentro) de ar (que se encontra fora), que dentro do organismo será processado, liberando o oxigênio que chegará às células, que o absorverão e devolverão o gás carbônico; e depois disso ocorre a expiração, que consiste na expulsão desse gás para o ambiente; e se fizermos a relação disso com o processo de planejar de fora para dentro, de incorporar o que está fora, processar internamente, e produzir algo no ambiente externo, não vejo como podemos escrever sem inspiração. Aliás, não vejo como pode-se distinguir o planejamento de um texto do ato de respirar.

A gente costuma até dizer:
Precisa escrever?
Inspire fundo e mande ver!