terça-feira, 15 de abril de 2008

O conhecimento como base do comportamento.


Os gestos. Começo pelo fim, como acabo de perceber, escrevendo estas duas palavras. Sim, são os gestos que, refletindo nossas percepções, são construídos por nossos hábitos de compreensão. Ora para melhorar, ora para simplesmente repetir um vício. Mas essa repetição nunca é igual à outra. Estamos sempre em relação ao Mundo, embora Este se apresente de fora e de Dentro. Somos Nós, Nele, com Ele, em relação à Ele. Ele está cheio de Eus Nossos. A Relação adequada para se ter com Ele, que está cheio de Eus, é exatamente ter em relação à Eus Nele. Por isso, tudo deve ser levado em conta, tudo que se souber a respeito de tudo, deve ser levado em conta. A conta deve contar e ser contada. Deve ser passado adiante todo o conhecimento necessário aos bons gestos, para que todo ele seja efetivo. Isto é criar a Humanidade para viver a Evolução.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

As Palavras de Sartre - O LIVRO

Sartre, Jean-Paul. As Palavras. Nova Fronteira: Rio de Janeiro, 2005.

O livro AS PALAVRAS é composto de 176 páginas e dividido em dois capítulos: LER, com 84 páginas, e ESCREVER, com 75. Foi escrito em 1964 por Jean-Paul Satre, que recusou o Prêmio Nobel de Literatura por acreditar que "nenhum homem merece ser consagrado em vida" ou que "nenhum escritor pode ser transformado em instituição".
A primeira coisa que fiz ao pegar o livro foi ler suas orelhas. Foram tão diretas que ao final da leitura, retornando à elas, vejo o quanto resumem a proposta e a postura do autor.
O processo de leitura não foi fácil, embora a leitura em si tenha sido bastante ineressante. Atentar para citações de como a leitura e a escrita foram para ele, já que o livro trata de sua infância e exatamente desse aprendizado, foi uma tarefa que se realizou basicamente como uma análise.
Passagens interessantes sobre seu olhar ao mundo não deixaram de me chamar a atenção, e estando com um lápis na mão, não pude deixar de marcar tais trechos. Ao fim da leitura, fiz uma nova leitura das marcações, para anotar apenas aquelas que diziam respeito à tarefa que deveria realizar. Porém, acredito que não tenha conseguido me desfazer de trechos marcados subjetivamente por terem sido importantes para a minha leitura do autor.
Como, ao final da seleção, f icaram muitos trechos marcados e pretendo trancrevê-los - pelo menos em parte, para que sirva de guia à quem quiser acompanhar com o livro em mãos -, farei mais duas postagens, uma para cada capítulo. Deixo aqui apenas a primeira marcação com comentário a seguir:
A primeira marcação feita foi sobre PALAVRAS CRUAS e PALAVRAS ENCOBERTAS. O quê ele quer dizer com isso? Palavras diretas, claras e abertas, típicas dos Schweitzer, família de seu avô materno, que eram naturalistas. Já as palavras encobertas eram as preferidas de sua Avó, Louise, que gostava de romances, apreciando menos as intrigas e mais os véus transparentes a envolvê-las. A marcação está à página 12 desta edição no seguinte trecho: "Naturalistas e puritanos (…), refugiada sobre o armário, nua e louca."

As Palavras de Sartre - LER

I - LER (p9-92)

Vou, por ora, apenas citar os trechos marcados. Posteriormente, pretendo acrescentar meus comentários.

1. "Não basta que minha índole seja boa; cumpre que seja profética: a verdade sai da boca das crianças. Muito próximas ainda da natureza, são primas do vento e do mar: seus balbucios oferecem, a quem sabe ouvi-los, amplos e vagos ensinamentos." (p22)

2. "Além disso meu avô se compraz em amolar os filhos. Aquele pai terrível passou a vida a esmagá-los; eles entram na ponta dos pés e o surpreendem aos joelhos de um pirralho: é de partir o coração! (…) A Natureza fala e a experiência traduz: aos adultos só resta calar a boca." (p23)

3. "Eu ainda não sabia ler, mas já era bastante esnobe para exigir os meus livros. (…) Ela levantou os olhos de seu trabalho: "O que queres que eu te leia, querido? As Fadas?" Perguntei incrúdulo: "As Fadas estão aí dentro?"" (p33)

4. "Tive então ciúme de minha mãe e resolvi tomar-lhe o papel. Apossei-me de um livro intitulado Tribulações de um chinês na China (…) com o Sem família de Hector Malot, que conhecia de cor e, (…) quando a última foi virada, eu sabia ler." (p35)

5. "Deitado sobre o tapete, empreendi áridas viagens (…) Estas palavras duras e negras, só vim a conhecer-lhes o sentido dez ou quinze anos mais tarde e, ainda hoje, conservam sua opacidade: é o humo de minha memória." (p36)

6. "Platônico por condição, eu ia do saber ao objeto; achava na idéia mais realidade que na coisa, (…) Daí veio esse idealismo de que gastei trinta anos para me desfazer." (p37)

7. "Eu gostava dessa incerteza e de que a história me escapasse por todo lado; (…) e oco em toda parte, salvo nos livros." (p40)

8. "Ao cair do dia, perdido numa selva de palavras, (…), julgou chegada a hora de me libertar e o fez tão bem que me marcou." (p41)

9. "Eu achara a minha religião: nada me pareceu mais importante do que um livro. (…). Todo homem tem seu lugar natural; nem o orgulho nem o valor lhe fixam a altitude: a infância é que decide. (…). Sem essa ilusão capital, eu jamais teria escrito." (p43)

10. "De qualquer maneira, me soprava o ministro do culto, o gênio não é senão um empréstimo: cumpre merecê-lo por meio de grandes sofrimentos, de provações modesta e firmemente suportadas; a gente acaba ouvindo vozes e escreve sob ditado." (p45)

11. "Isto quanto aos corpos; no tocante às almas, assediavam as obras; as páginas eram janelas; de fora um rosto se colava à vidraça, alguém me espiava; eu fingia nada perceber, continuava minha leitura, com os olhos cravados nas palavras, sob a mirada fixa do defunto Chateaubriand." (p46)

12. "Ainda hoje, resta-me esse vício menor, a familiaridade. Trato esses ilustres defuntos como amigos do peito: acerca de Baudelaire, de Flaubert, expresso-me sem rodeios e, quando me recriminam por isso, tenho sempre vontade de responder: "Não se metam em nossos negócios. Eles me pertenceram, genios de vocês, eu os tive em minhas mãos, eu os amei apaixonadamente, com toda a irreverência. Vou então andar de luvas com eles?""
"O que acabo de escrever é falso. Verdadeiro. Nem verdadeiro nem falso, como tudo o que se escreve sobre os loucos, sobre os homens." (…) Vejam antes: sozinho no meio dos adultos, eu era um adulto em miniatura, e faria leituras adultas; só isso já soa falso, posto que, no mesmo instante, eu continuava sendo uma criança." (p48)

13. "Visto, eu me via: via-me ler como alguém se ouve falar. Acaso mudara eu tanto desde o tempo em que fingia decifrar "o chinês na China" antes de conhecer o alfabeto? (…), uma voz deslumbrada cochichar: "Mas é que ele ama Corneille!" Eu não o amava: os alexandrinos me desagradavam. Por sorte, o editor publicara in extenso tão somente as tragédias mais famosas, das outras, dava o título e o argumento analítico: é oque me interessava: (…); isso me deleitava." (p50)

14. "A Sra Picard era de opinião que uma criança pode ler tudo: "Um livro nunca faz mal quando é bem escrito." (…) bloqueio muscular." (p73-74)

15. "Os burgueses do século passado jamais esqueceram sua primeira noite no teatro, (…) Desafio os meus contemporâneos a citar a data de seu primeiro encontro com o cinema. (…) Nascida em um covil de ladrões, incluída por portaria administrativa entre os divertimentos de feira, (…) Quando nos demos conta de sua existência, havia muito que se tornara nossa principal necessidade." (p80-81)

16. "Nos dias de chuva (…) A sessão já começara. (…) O pianista atacava a abertura das Grutas de Fingal e todo mundo compreendia que o criminoso ia aparecer: a baronesa ficava doida de medo. Mas seu belo rosto carbunculoso cedia lugar a um letreiro malva: "Fim da primeira parte." (…) As pessoas esfregavam os olhos, cada qual descobria seus vizinhos. Soldados, domésticas do bairro; (…) grandes chapéus palpitantes tranquilizavam." (p81-82)

17. "Inacessível ao sagrado, eu adorava a magia: o cinema era uma aparência suspeita que eu amava perversamente pelo que ainda lhe faltava. (…) Do preto e do branco eu fazia cores eminentes que ressurgiam em si todas as outras e só as revelavam ao iniciado; encantava-me de ver o invisível. (…) Eu me sentia profeta sem poder predizer nada: antes mesmo que o traidor traísse, seu crime estava em mim; (…) Que alegria quando o derradeiro golpe de faca coincidia com o derradeiro acorde! (…) ; eu sentira sua vitória em meus ossos, todavia era a deles e não a minha: na rua, eu voltava a ser extranumerário." (p84-85)

18. "Decidi tomar a palavra e viver como música. Surgia-me a ocasião toda tarde, por volta das cinco horas. (…) sentava-se ao piano e tocava as baladas de Chopin, uma sonata de Schumann, as variações sinfônicas de Franck e às vezes, a pedido meu, a ouverture das Grutas de Fingal. (…)" (p85)

As Palavras de Sartre - ESCREVER

II ESCREVER (p93-168)

Aqui, o mesmo: por ora apenas as citações, depois os comentários.

19. "No começo do verão… " (p95) -Aqui já vai um comentário: acabo de devolver o livro e, publicando esta postagem percebi que esta citação não tem fim. Amanhã corrijo com o livro em mãos.

20. "Minhas intrigas… ela me curava." (p99)

21. "Trêmulo, sempre a ponto de rasgar minha folha, (…), em minha memória."103 "Começava (…) privados." (p100)

22. "O magistério prometia (…) antigos alunos." (p105-106)

23. "Karl me revirava como uma pele de coelho: eu acreditava escrever tão somente para fixar meus sonhos, (...) "Ah!", declarava meu avô, "não basta ter olhos, é preciso aprender a utilizá-los. Você sabe o que fazia Flaubert quando Maupassant era pequeno? Instalava-o diante de uma árvore e concedia-lhe duas horas para descrevê-la". Aprendi pois a ver." (p107)

24. "Eu observava. Era um jogo fúnebre e decepcionante: cumpria plantar-me perante a poltrona de veludo estampado e inspecioná-la. O que tinha a dizer?" (p107)

25. "Pintando verdadeiros objetos com verdadeiras palavras...eu próprio não me tornasse verdadeiro." (p108)

26. "Em suma, ele me atirou na literatura pelo cuidado que despendeu em me desviar dela: (…) na única e louca esperança de agradar o meu avô." (p110)

27. "É verdade que não sou dotado para escrever; foi o que me fizeram saber (…) seus olhos inocentes viam sem ter a missão de olhar." (p110)

28. "Quando pretendi retomar meu romance, (…) sem dúvida dizia a seus botões que sua política produzia os primeiros frutos." (p112)

29. "Uma gravura, todavia, me transformou: (…) antes que comecem a escrever, antes mesmo que tenham nascido."(p113-114)

30. "Às vezes minha avó levava-me consigo à biblioteca (…) que elas nem sequer olhavam." (p115)

31. "Para evitar trair, instaurei o terror em minha cabeça e em meu vocabulário; (…) tornei-me uma ditadura militar." (p117)

32. "Isso me afligia: eu me armara para defender a humanidade contra perigos terríveis, (…) mundo sem conflitos que reduzia o escritor ao desemprego." (p118)

33. "Imundas futilidades: eu as engoli sem compreendê-las muito bem (…) Tornei-me cátaro, confundi a literatura com a prece, converti-a em sacrifício humano." (p120)

34. "Tudo me pareceu simples: escrever é aumentar de uma pérola o colar das Musas, (…) Não me ocorreu a idéia de que se pudesse escrever para ser lido." (p121)

35. "Escreve-se para os vizinhos ou para Deus. (…) Eu queria devedores de obrigações e não leitores." (p121)

36. "Depois eu tinha nove anos. (…) Clandestino fui verdadeiro." (p122)

37. "Enfim, o idealismo do clerc baseava-se no realismo da criança. (…) e mais tarde, nas bibliotecas em ruínas, elas sobreviveriam ao homem." (p122-123)

38. "O Espirito Santo me contemplava. (…) exceto ao compromisso real que me conduzia à glória por meio dos suplícios." (p124-125)

39. "Por volta dessa época uma anedota me perturbava (…) Ela viria: um dia, numa estrada deserta, beijaria meus dedos." (p128-129)

40. "(…) para renascer era preciso escrever, (…) e obrigavam-na incessantemente a ressucitar minha ausência." (p130-131)

41. "Quando um grande pensamento (…) ele fazia baixar um silêncio fabuloso que transfigurava tudo: o porvir." (p134-135)

42. "Todavia a guerra logo me entediou: (…) sumiram das bancas de jornais." (p140)

43. "Ora, naquele malfadado mês de outubro (…) Não escrevi mais." (p143)

44. "Esqueci conjuntamente a guerra e meu mandato. (…) "A coisa está falando em minha cabeça", disse a minha mãe, que, por sorte, não se inquietou." (p144-145)

45. "Na primeira composição, fui o último. Jovem feudal, tomava o ensino como uma lição pessoal: (…) perdi meu tratamento de favor, mas já estava habituado à democracia."(p146-147)

46. "Em outros termos, eu conservava a ordem dos fins em qualquer circunstância, (…) ainda que a despeito de mim mesmo, a efetuar novos progressos." (p155-156)

47. "Os escritores em idade madura não gostam de ser felicitados com demasiado ardor pela primeira obra (…) depois de amanhã melhor ainda e de acabar por uma obra-prima." (159-160)

48. "É meu hábito e também é meu ofício. (…) Não de todo: eu os adaptei, creio: tendo perdido minhas probabilidades de morrer desconhecido, gabo-me às vezes de viver mal conhecido." (p167-168)

quarta-feira, 9 de abril de 2008

O tempo, o espaço, e a letra

Havia uma folha sobre a mesa
Um lápis em algum lugar
Sem tempo para procurá-lo
Deixei à mesa o papel de cuidar

Vi a hora passar
Mas nada mudou
O papel a repousar
nem sequer me olhou

Um lápis por fim eu achei
Agora poderia escrever
Mas triste fim encontrei
A letra só quiz esconder

quinta-feira, 20 de março de 2008

Um recorte de Sartre (fonte: wikipedia.org)

Desde Platão, quando temos o nascimento da linguagem filosófica (em forma de diálogos), a preocupação desta é o universal em detrimento do particular. E, agora, a existência toma seu lugar na discussão filosófica, partindo de questões cotidianas, e caminhando em direção à universalidade.

Órfão de pai desde os dois anos, Sartre sofreu as primeiras influências por parte de sua mãe Anne-Marie e de seu avô Charles Schweitzer, que o iniciou na literatura clássica desde cedo.

Fez seus estudos secundários em Paris, no Lycée Henri IV, onde conheceu Paul Nizan. De 1922 a 1924, estudou no curso preparatório do lycée Louis-le-Grand. Nessa época despertou seu interesse pela Filosofia, influenciado pela obra de Henri Bergson. Em 1924 ingressou na École Normale Supérieure, onde conheceu, em 1929, Simone de Beauvoir que se tornaria sua companheira e colaboradora até o fim de sua vida.

Sartre e Beauvoir não formavam um casal comum de acordo com padrões da época. Ambos possuíam amantes, e partilhavam confidências sobre suas relações com outros parceiros. Este modo de vida violava os valores da tradicional sociedade francesa, que se escandalizou com essa relação.

Considerado por muitos o símbolo do intelectual engajado, Sartre adaptava sempre sua ação às suas idéias, e o fazia sempre como ato político. Em 1963 Sartre escreve Les Mots (As palavras, lançado em 1964), relato autobiográfico que seria sua despedida da literatura. Após dezenas de obras literárias, ele conclui que a literatura funcionava como um substituto para o real comprometimento com o mundo. Em 1964 vence o prêmio Nobel de literatura, que ele recusa pois segundo ele "nenhum escritor pode ser transformado em instituição".

Cronologia

1905 - Sartre nasce em Paris em 21 de junho.
1907 - Morte de seu pai. Muda-se para a casa do avô materno, em Meudon; retorna a Paris quatro anos depois.
1924 - Sartre matricula-se na Escola Normal Superior, em Paris. Conhece Simone de Beauvoir.
1931 - É nomeado professor de filosofia no Havre.
1936 - Sartre publica A Imaginação e A Transcendência do Ego.
1940 - Servindo na guerra, Sartre é feito prisioneiro pelos alemães e enviado a um campo de concentração.
1941 - Liberto, volta à França e entra para a Resistência. Funda o movimento Socialismo e Liberdade.
1943 - Publica O Ser e o Nada.
1945 - Sartre dissolve Socialismo e Liberdade e funda, com Merleau-Ponty, a revista Les Temps Modernes.
1952 - Sartre ingressa no Partido Comunista Francês.
1956 - Rompe com o Partido Comunista. Escreve O Fantasma de Stálin.
1960 - Sartre publica Crítica da Razão Dialética.
1964 - Publica As Palavras. Recusa o Prêmio Nobel de Literatura por acreditar que "nenhum escritor pode ser transformado em instituição"
1968 - Durante a revolta estudantil na França e em várias partes do mundo, Sartre põe-se ao lado dos estudantes da barricada.
1970 - Sartre assume simbolicamente a direção do jornal esquerdista La Cause de Peuple, em protesto à prisão de seus diretores.
1971 - Publica O Idiota da Família.
1973 - Colabora na fundação do jornal libertário Libération.
1980 - Morre em 15 de abril.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Contextos da e para a vida.

Na última aula, depois de ter ouvido o que a Carlinha falou sobre gostar de ler e comentar os blogs, que a experiência foi muito gratificante, e depois de todas as outras boas experiências, relatadas pela maioria das presentes, fiquei numa tremenda inquietação, pois a minha experiência tinha sido de sofrimento. Então, ao final da aula, não resisti e resolvi falar sobre isso. Levantei a mão me expondo, e falei o quão difícil foi fazer os comentários, pelo fato de querer comentar o que me chamou a atenção nos textos, precisamente o uso da gramática, ou melhor, a falta dele. Falei o quanto foi ártuo achar uma forma de desviar desse obstáculo para conseguir escrever um texto que fosse bom para quem precisa de incentivos e não de podas. Resolvi que falaria pessoalmente, e pediria a permissão para comentar os usos da língua nos devidos blogs. Mas afinal, de quem é o papel de fazer estes comentários? Não seria do professor? Mas a professora não o faz, provavelmente tendo suas razões, será que eu devo fazê-lo? Saí da aula achando que as pessoas não acharam muito legal o que eu havia colocado. E como poderiam!?

Na sexta, cheguei na aula de História achando que iam me jogar as coisas em cima, que alguém ia falar que eu me achava a tal, mas para a minha surpresa não foi o que aconteceu. Que bom, meu processo de fala tem melhorado muito, antes eu falava as coisas de um jeito que só fazia inimigos. E não é, sinceramente, o que pretendo em vida.

Como se não bastasse o mal-estar anterior, no domingo fiz uma postagem aqui sobre liberdade ao escrever "Porquês e para quem", em decorrência da leitura do texto da Márcia "Ser autor", postado em seu blog. Estava profundamente incomodada com o tema, afinal, qual era a minha liberdade ao comentar os blogs? E também, agora, com a minha postagem. Será que vão entender o que quero dizer? Ninguém cometou ainda... Será que apago? Não vai adiantar, já foi por e-mail e a Márcia já já vai saber!

Resolvi me conter e desviar meus pensamentos para ficar menos angustiada. Foi quando anteontem, folhando a veja que estava ao alcance da mão livre, enquanto a outra segurava um cigarro, cheguei à matéria sobre livros. Na foto um Senhor, na legenda o texto: "Evanildo Bechara: o encanto com o estudo de línguas fez com que ele desistisse da engenharia". - Detalhe: a princípio, havia lido Evaldo (conheço um Evaldo Bertacco, artista plástico). Ah, que interessante - pensei, sem me dar conta de que havia lido o nome errado -, e comecei a ler o texto.

Autor da "Moderna Gramática Portuguesa", ele chama a atenção para alguns preciosismos da língua como "risco de vida" e "correr atrás do prejuízo" entre outros. Achei deveras interessante a argumentação, corretíssima! No primeiro caso, corremos um risco de morte, e no segundo, diz ele, vamos sempre atrás do lucro. Eu já estava dialogando com o texto, quando Bechara me disse condenar o uso das regras do português como ferramenta de opressão. Concordei, não é a minha intenção oprimir ninguém, muito pelo contrário, estou fazendo o curso para descomprimir o ser humano! Ele entendeu. Mais adiante ele disse: "Os sociolingüistas acreditam que ensinar a língua-padrão é uma forma de preconceito social. É um erro. O domínio do padrão é parte essencial da competência lingüística do falante". Com certeza, para uma boa transmissão, ambos, o leitor e o escritor, devem ser competentes em suas funções. Caso contrário, a incompetência de um torna o outro também incompetente! Será? E se for, o que fazer?

Veio à minha mente o texto de domingo, quando li a frase mais interessante do texto: "A língua reflete a liberdade do homem. É uma disciplina em que existem regras, mas acima delas está a intenção expressiva de cada falante e de cada escritor." Adorei o encontro! Ah, o livro da matéria é: "Homenagem: 80 Anos de Evanildo Bechara" (Nova Fronteira/Lucerna; 200 páginas; 29,90 reais). Mas como diz Cláudio Moreno, professor de português aposentado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e coordenador do programa de português do Colégio Leonardo da Vinci, de Porto Alegre: "A Moderna Gramática Portuguesa é o melhor que o Brasil tem em termos de gramática. Bechara é um acadêmico tradicional que os que querem ser modernos deveriam ler".

Para quem quiser tirar dúvias de escrita, gramática, morfologia, semântica etc..., achei um link muito útil (Info escola - português), que está disponibilizado na minha lista de links: Linkando ao mundo. Bom divertimento para quem quiser pesquisar antes de escrever!

E para quem quiser ver a matéria do Evanildo online:
clique aqui

A leitura em voz alta - João Cabral de Melo Neto

Sem ler previamente o texto, nem saber do que se tratava, me concentrei e comecei a ler as respostas de João Cabral às perguntas feitas pelo entrevistador dos Cadernos de literatura brasileira, do Instituto Moreira Salles, realizada em 1996.

Embora fosse um nome familiar, não sabia exatamente quem era ou fôra João Cabral. Um escritor, presumo, e segui a leitura, tentando incorporar o personagem, que me parecia saber muito bem do que falava, e ter uma oponião bastante rígida a respeito do assunto tratado.
Ao final da leitura ficou uma grande e geral inquietação, causada pela sua afirmação de que na escrita conta mais o planejamento do que a inspiração. Outros pontos também foram questionados, como por exemplo o fato de relacionar a poesia ao ato de construção de uma casa, e ainda dizer que seu planejamento era de fora para dentro.

Confesso que como leitora, ou oradora no caso, apreendi algumas idéias erroneamente, e na discussão pude reparar essas falhas para melhor compreender o texto. Mas ainda assim, fica uma questão bastante pertinente:
Se a inspiração pode ser entendida como o ato de preencher os pulmões (que estão dentro) de ar (que se encontra fora), que dentro do organismo será processado, liberando o oxigênio que chegará às células, que o absorverão e devolverão o gás carbônico; e depois disso ocorre a expiração, que consiste na expulsão desse gás para o ambiente; e se fizermos a relação disso com o processo de planejar de fora para dentro, de incorporar o que está fora, processar internamente, e produzir algo no ambiente externo, não vejo como podemos escrever sem inspiração. Aliás, não vejo como pode-se distinguir o planejamento de um texto do ato de respirar.

A gente costuma até dizer:
Precisa escrever?
Inspire fundo e mande ver!

sábado, 15 de março de 2008

Porquês e Para Quem

Escrever não é tarefa fácil, todos hão de concordar. Além do tema, da profundade, da forma e do alcance, há o respeito - que limita a liberdade, para direcionar o discurso. Mas que discurso é esse?
O discurso que chegue inteiro ao leitor, ou apenas fragmentado? Como saber a que ponto o leitor é capaz de ir para compreender ou acompanhar seu texto? Que leitor é o brasileiro? Se é que podemos generalizar o termo, sem preconceito!
Quem lê um texto lê oque? Lê a si mesmo! O ser completo e por completar. O ser social e cultural, consciente e inconsciente de si, que usa o texto para conhecer mais, mas por pretexto a si mesmo.
O texto que busca conscientizar é deveras pretencioso. Como saber se o leitor já possui aquele conhecimento?
O texto que informa pode ser pouco. Como saber se o leitor já conhece alguns termos necessários ao seu discurso? Será que devemos escrever um "tratado", ou meias-palavras bastam?
Qual o melhor texto para cada situação? Em prosa ou poesia? Qual possibilita, e para quem, a maior liberdade de expressão/compreensão? É isso que se busca na escrita? A liberdade? De quem?
Dúvidas! Estas são as pérolas mais preciosas.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Amores Difíceis: A aventura de um leitor - Ítalo Calvino

A leitura começou assim que sentei na salinha da escola onde estou fazendo a adaptação da minha filha de dois anos e meio. Tenho feito leituras nesta sala nos últimos dias, e devo concordar com quem tem dificuldade para ler com barulho, ainda mais barulho de criança pequenina; que cai, chora, grita e vem sempre dar uma olhadinha para ver quem é aquela pessoa que está sentada na salinha dos professores.
Bem, fui despreparada, sem o tal dicionário sugerido pela Márcia na aula passada. Paciência, resolvi sublinhar as palavras e depois procurá-las. Aliás, acabo de colocar no Blog um link para o Michaelis online, e vou aproveitar este momento para repassar as palavras que achei interessante pesquisar, embora algumas eu tenha sempre inferido seu significado.
Consegui ler as primeiras sete páginas do texto, quando tive que parar, pois hoje em vez de sair as três e meia, me disseram para sair antes. Marquei o ponto em que parei e fui falar tchau. Saí e fui resolver umas matrículas no clube, tomei um café e sentei em uma cadeira à sombra para continuar a minha leitura. Como continuava sem o dicionário, fui riscando as palavras que se me perguntasse o significado, gaguejaria para responder, e muito provavelmente responderia não saber.
A leitura foi mais rápida do que imaginava que seria, e como hoje é meu dia de rodízio, cheguei mais cedo no curso. E aqui estou eu, falando mais do meu processo para conseguir ler o texto, do que o meu processo de leitura propriamente dito, ou seria lido?
Bom, A leitura foi fácil e prazerosa, mas faltaram as palavras.
Ei-las:

  • PROMONTÓRIO-Porção de crosta terrestre, no litoral de um continente ou ilha, que avança para o mar, apresentando estreitamento da sua largura entre a terra e a sua extremidade.
  • IÚCAS-(não achei no dic., mas no google sim: As iúcas podem atingir uma altura considerável (até 12m) no seu habitat natural, ... As iúcas cultivadas no exterior produzem panículas de flores com um – mas o link não funcionou!) Aí achei na Wikipedia a descrição e uma fotinho, embora hajam mais de 40 espécies.
  • CONCIERRGERIE-Não achei!
  • DESDENHAVA-1 Mostrar ou ter desdém por: "Desdenhar de filosofias" (Machado de Assis). vtd e vti 2 Desprezar como indigno de si: Desdenhava a frivolidade. Não desdenho de ser o autor deste livrinho. vtd 3 Repudiar com desdém: Desdenhava a bajulação. vtd 4 Considerar desdenhosamente; menosprezar: Sempre desdenhou as coisas do país.
  • SOPESÁ-LOS-1 Tomar com a mão o peso de: "Tomou o animal, sopesou-o com ambas as mãos" (Júlio Ribeiro, ap Fr. Fernandes). vtd 2 Equilibrar tomando o peso; suspender na mão; suspender e vibrar para o arremesso: Sopesar a lança, o dardo. vtd 3 Sustentar o peso de: Os esteios sopesam o telhado. vtd 4 Conter, sofrear, sopear: Sopesar a irritação, o mau-humor. vtd 5 Distribuir com regra e parcimônia: Sopesar os gastos. vpr 6 Ficar em equilíbrio; equilibrar-se: O acrobata sopesava-se no delgado cabo. Sopesa-se nas asas (a ave, o avião). vpr 7 Fugir (a ave) começando por dar saltos diante do caçador.
  • FORNIDAS- 1 Carnudo, nutrido, robusto. 2 Provido, abastecido.
  • INTERLÚDIO- Trecho que se intercala entre as diversas partes de uma longa composição.
  • ATORDOADO-1 Causar atordoamento a: O homem o atordoava. Atordoava a criança com o muito balançá-la. vint 2 Causar abalo ou perturbação dos sentidos: A bajulação atordoa. vint 3 Ficar estonteado. vtd 4 Causar assombro a; maravilhar. vtd e vint 5 Importunar, molestar os ouvidos.
  • ACEDEU-1 Aderir, anuir, aquiescer, assentir (à opinião, ao convite, à proposta de alguém): Aceder ao convite. Acedeu facilmente. vti 2 Conformar-se: Aceder ao imperativo da situação. vti 3 Dir Conformar-se, nas concordatas, com o estipulado pela maioria dos credores. vtd 4 Acrescer, ajuntar: "À clareza... acede elegância mais formal e positiva" (A. F. de Castilho).
  • ENLEVO-1 Ato de enlevar. 2 Arrebatamento, arroubo. 3 Coisa que maravilha; assombro. Pl: enlevos (ê).

quarta-feira, 5 de março de 2008

Minha história de escrita

Se bem me lembro do meu passado - eu hoje já com trinta e cinco - e se não, quem estiver lendo que me perdoe a falta de detalhes mais ricos. Pois a memória que tenho já não tem fatos concretos ou pré concretos, são mais sensações vagas, que apenas me dão a certeza de que superei conflitos.

Lembro de uma de minhas primeiras redações cujo tema era o apavorante: "Minhas Férias". Fiquei a olhar o papel por horas a fio, para mim uma eternidade, mas na verdade foram minutos pois a aula demandava a escrita da tal redação. A professora orientou que quem tivesse dificuldade ou quisesse, poderia fazer um esquema para ajudar a elaborar o roteiro da redação. Plim! Era o que eu precisava! Poderia usar caminhos de linhas para ligar as lembranças de todos os acontecimentos, e ainda fazer flechas ou até mesmo numerar para poder ordenar todos os fatos e assim elaborar a dissertação.

Lógico que não me passavam pela cabeça essas nomenclaturas, mas a idéia de poder fazer quadrinhos com os fatos, ao invéz de redigir um texto que os contivesse era para mim muito mais atraente. A lembrança, ou melhor, a sensação que tenho é de que apesar de achar que o método fosse me ajudar, não consegui redigir um texto coerente. Tenho no fundo uma sensação de mal estar ao lembrar desta situação. E asim foi, durantes os próximos anos, que seguiram à minha terceira ou quarta série primária. Aquele acontecimento, aquela dificuldade, persistiu ecoando por um longo tempo.

E o tempo passou e o medo de escrever continuou. As provas vieram e História era um terror! Além de ter dificuldade para entender os fatos, - pois não concordava com eles e logo me colocava a pensar em novas soluções para o passado, o que era por si um absurdo, mas não para mim -, ainda tinha dificuldade para redigir um texto coerente. Imagine! Escrever sobre um acontecimento que para mim não era justo de ter acontecido! E se eu escrevesse era como se eu concordasse com aquilo!

É, só fui ter conciência de que este era o ponto crucial, numa conversa com meu professor de filosofia no segundo colegial. Quando fui indagar o fato de todos os meus comentários em aula serem taxados de subjetivos, quando na verdade achava que eram extremamente úteis objetivamente. Foi ótimo! Uma gelada, foi o que ele me deu, com o sorriso mais amável que podia ter expressado. Ele disse: — "Não queremos saber o que VOCÊ pensa sobre o assunto, queremos entender o que o FULANO quis dizer. Quando você faz comentários do seu ponto de vista, você afasta a discussão que estamos fazendo das idéias de Fulano. Este não é o objetivo do curso, por mais que as suas idéias sejam interessantes." Talvez as aspas não sejam adequadas, pois obviamente não foram exatamente estas as palavras ou frases utilizadas em seu discurso, mas o conteúdo é precisamente este, e as aspas estão como um recurso para que o discurso possa ser exposto.

Bastou! Anos de sofrimento, de incompreensão, de olhares tortos, de notas baixas em matérias que exigiam redação. Sim a distinção entre o Objetivo e o Subjetivo tinha feito a diferença. Desde então, me esforço para não fugir ao que o autor discute, mesmo que não concorde. A idéia de um texto novo é sempre uma expectativa, mas bastante controlada. Quando acho algo que concordo, leio de novo atentamente para ter certeza de que posso estimar o autor. Mas deixando a leitura de lado, pois estou tentando falar da escrita, o fato ajudou muito, principalmente porque estão interligados, acredito eu. Não podemos escrever bem se não soubermos ler corretamente. Para atingir um leitor é preciso ter a experiência de alcançar um escritor durante a leitura de seu texto.

E foi assim, com esse controle, não na ponta de língua apenas, mas na ponta dos olhos, que eu pude discernir o que era relevante, o que era a causa e qual era o objetivo do texto. Aliás, ficou tão mais fácil não ter que provar os meus argumentos, mas apenas citar os argumentos utilizados por outrem, que já partia da idéia do objetivo da resposta e tinha que fazer o caminho inverso para poder redigir um texto coerente com começo meio e fim. Assim, sempre me vejo escrevendo ao contrário, achando fatos anteriores e tendo que apertar o rascunho para colocar novas anotações. São rascunhos e mais rascunhos: rascunho de idéias, rascunho de texto cru, rascunho mais elaborado, e assim sempre foi do rascunho do rascunho até o texto final. Ainda bem que já há um tempo, com o uso do computador, o processo ficou muito mais econômico, tanto ambientalmente - em relação ao papel gasto -, quanto em relação ao arquivo utilizado.

=>Este texto foi escrito em etapas: primeiro o parágrafo final, depois toda a história sem parar de escrever, e por fim, o paragrafo acima foi adaptado para seguir a mesma linha do texto que acabou. Agora vou fazer uma leitura para ver os erros de digitação e concordância. Obrigada pela paciência de quem teve para ler o que aqui está escrito. (Fiz pequenas correções, mas o texto continua com o desabafo característico deste momento.) Abraços a todos!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Leitura de "Felicidade Clandestina", de Clarice Lispector.


Sentei no sofá confortavelmente e comecei a ler o texto: "Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados." Parei, e exclamei comigo mesma: "Mas essa descrição está estranha!". Li novamente a primeira frase do texto, fazendo a imagem de cada característica descrita. Aí percebi que na primeira leitura havia imaginado cabelos crespos já castanhos e na realidade eram avermelhados. Nesse momento fiquei com vontade de abaixar o texto, pegar uma folha de papel em branco, sem pauta, e desenhar a figura citada. Mas não, continuei lendo, e foi bom! Várias outras descrições aumentaram em detalhes a imagem daquela figurinha até o fim do texto. Desta vez não reli mais nenhuma vez o texto. Só falta desenhar a má-nina.
=> não falta mais!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Minha história de leitura.

Me lembro o quanto era constrangedor ter que ler um texto em sala de aula. Quando era para ler em voz baixa, eu nunca terminava a tempo de seguir a classe. Quando era para ler em voz alta era vergonhoso, demorava em palavras, gaguejava, me envergonhava muito. Era sempre um suplício. Não sei dizer por que isso acontecia, mas ainda hoje, às vezes me pego lendo um texto e pensando em outra coisa. Ou algo que o texto me levou a pensar, ou por outra razão qualquer. Hoje tenho a leitura mais treinada e quando vou ler em voz alta, estou sempre com a boca pronunciando palavras que já passaram pelos olhos. Sempre atentos às novas palavras que estão à frente no texto para preparar a verbalização, com entonação, pontuação e até caretas. Quando estas se fazem necessárias!

Reflexão sobre o processo de escrita do relato: "Catar Feijão".

A escrita do relato também foi feita em etapas. Primeiramente foi um jogar palavras que pudessem gravar o processo de forma geral. Depois do ponto final, conforme uma releitura, percebi o quanto algumas palavras estavam fora de ordem, outras soltas, embora não desconexas. Então, com alguns acréscimos, aprimorei o relato para que não ficasse truncado, com degraus ou buracos. Mas foi no momento em que passei o texto para o blog, que este se fez íntegro, coerente e satisfatório. Pelo menos aos meus olhos.

Reflexão sobre o processo de leitura: "Catar Feijão".

Nenhuma leitura é finda. Mesmo com a compreensão do texto na íntegra, sempre há o que se possa ler e entender de novo. Mesmo que este novo não esteja no texto.

Relato do processo de leitura: "Catar feijão".

Começo a ler, tudo vai bem, com fluidez até a dúvida. Tropeço, mas continuo até o fim do parágrafo. Volto à dúvida, releio-a e vou até o fim da primeira parte, não resolve. Volto ao começo passando pelo ponto não compreendido. Desisto, vou em frente, sigo até o fim do poema. Entendo, concordo e me divirto até terminar. Mas não termino, ainda falta, preciso entender! Volto ao começo e quando chego no ponto da dúvida, descubro o aposto, duas vírgulas, sim são elas que eu não havia visto! Agora sim entendo: o papel é água congelada!