quinta-feira, 5 de junho de 2008
1. Como a mudança da leitura em voz alta para a leitura silenciosa pode ter contribuido para a emancipação do homem à Idade da Razão?
A leitura silenciosa ocorre internamente, possibilitando ao pensamento um raciocínio mais evoluído e a consequência dessa experiência quando expandida para toda uma comunidade faz com que esta crie uma nova era: a época na qual se enfatiza a razão, o raciocínio por ele estar realmente em pauta, nas cabeças dos homens desse momento histórico.
2. Quais as consequências que a leitura silenciosa trouxe para a sociedade da época e que produziram reflexos nos dias atuais?
A leitura silenciosa permitiu maior liberdade de interpretação dos textos, pois eliminaram uma mediação, que embora necessária abusava e impunha certa compreensão do texto exposto oralmente. A sociedade leitora silenciosa, exercitando o pensamento, elaborou o raciocínio e revolucionou o mundo. Hoje há mais liberdade para aqueles que aprendem a ler com autonomia de pensamento.
Questões do Seminário 2
1. Um texto pode ter sua leitura e interpretação influenciadas pelas diferentes mídias em que for veiculado (jornal, rádio, TV, Internet)? De que forma?
O texto se adapta ou deve ser adaptado a cada mídia em que for veiculado, pois cada uma possui suas características próprias e comporta apenas um número definido e restrito de elementos. Dependendo da mídia, o texto será traduzido nesses elementos e isso, via de regra, alterará a leitura que se faz deles, pois toda tradução é uma releitura, uma reinterpretação. Assim, quando um texto escrito é veiculado num filme, por exemplo, muito se tira e muito se acrescenta para adaptar o texto à tela. Um exemplo disso num filme é o uso da música, que num texto escrito não é ouvida, a não ser que esteja fora dele.
2. Você percebe a interferência que a grande variedade de mídias (livro, jornal, revista, sites, cds) têm em suas escolhas de textos para ler? Você consegue definir suas preferências em cada mídia?
Sim, toda mídia comporta muitas variedades de textos. Livros podem ser de ficção, romances ou científicos-filosóficos. Jornais podem ser mais completos e abrangentes ou restritos a setores determinados. Revistas existem para todos os gostos e desgostos. Sites então, nem é preciso dizer: quanto mais barata a produção de uma mídia, mais é provável que se perca em qualidade devido a falta de mediação. A minha preferência é pela qualidade e utilidade real do que leio, seja para minha formação ou para minha pretensão em ajudar na formação dos outros.
Questões do Seminário 3
Segundo o autor estudado, a polissemia de um texto se deve do fato de que cada leitor atribui sentido ao que lê não só a partir de elementos lingüísticos, mas também de outros elementos que estão fora do texto e compõem o contexto do leitor. Portanto, a produção de sentido vai além do texto e depende de fatores externos (fora do texto).
1. Dessa forma, como é possível o escritor garantir o sentido do texto que escreve? Como nós, enquanto escritores, podemos lidar com isso?
Acho que dependerá do texto a ser lido. Via de regra, um bom leitor já sabe como ler um texto, já possui seus rituais e tem mais consciência da interfeência que fatores externos podem ocasionar no seu entendimento do texto lido. Talvez o escritor possa, no início de seu texto, orientar o leitor na forma de lê-lo.
2. Como é possível discutir interpretação de texto em uma sala de aula? O que é preciso o professor garantir?
A discussão em sala de aula é possível quando há democracia, isto é, todos podem falar desde que respeitando o outro, não interrompendo, não atropelando e principalmente não deixando de ouvi-lo. O professor pode e deve ajudar mediando as falas, orientando em temas e analisando sintaticamente os trechos que apresentarem maior disparidade de interpretação.
Questões do Seminário 4
1. Os meios audiovisuais (TV, cinema, computador) interferem no interesse do leitor por leitura de qualidade? Altera a relação do leitor com o texto?
Talvez eles se imponham e prevaleçam sobre a leitura de textos propriamente ditos, ou melhor escritos! Mas isso para quem não tem o costume da leitura ou para quem não a aprecie. Os meios audivisuais se mostram mais atraentes aos olhos crus de leitura. O comodismo desencadeado por tais meios pode facilitar a desistência do leitor que enfrenta um texto difícil de ler.
2. Será que os “instant books”, ou seja, os livros mais baratos e com textos menos complexos, que visam uma leitura mais rápida efácil, geralmente de entretenimento, vão prevalecer na escolha dos leitores do século XXI?
Isso depende da orientação e formação para a leitura que a sociedade será capaz de fazer. Se a educação priorizar a qualidade, a sociedade tenderá a escolher leituras adequadas e os “instant books” permanecerão ocupando lugares condizentes a suas condições: um entretenimento fácil e barato. Quem quiser mais, terá de ir mais longe!
sexta-feira, 23 de maio de 2008
Uma leitura concreta

Demorei muito a pegar o livro "A hora da estrela". Há muito tempo vi o filme e confesso que não fiquei muito bem depois de assistí-lo. Ainda hoje me lembro da cara da personagem no rosto da atriz. Como descrever o desprezo e a dor que me causaram?
A prova do mal foi a minha relutância em começar a lê-lo. Peguei o livro emprestado na biblioteca Clarice Lispector, na Lapa. Fiz uma ficha especialmente para poder tê-lo em mãos. De fato, fiquei com ele algumas semanas, sem ao menos abrir para ler seu início, ou mesmo para folhear o material. Depois de várias renovações e depois de vários trabalhos de faculdade entregues, resolvi levá-lo para a cama e dar-lhe uma chance.
Fiquei impressionada com a leitura! É uma espécie de adivinhação. Quase uma leitura em voz alta! Mas o cheiro de papel velho empoeirado ainda me afastava. Então, no dia seguinte, resolvi dar uma passadinha na livraria, para ver se achava o livro. E... achei! "É o último!", "Quanto custa?", "Dezoito reais.", "Vou levar!"
A capa é bem diferente da capa anterior. A edição mais compacta, o tamanho menor da letra diminuindo o número de páginas fez a paginação não combinar na comparação e busca do lugar em que havia parado a leitura. Mas o texto sendo exatamente o mesmo, fez com que pudesse achar o trecho em que estava facilmente.
Pude então devolver o livro na biblioteca, e mergulhar no texto puro de Clarice, sem cenas, cortes, imagens, apenas palavras. A princípio foi realmente confortante saber que o autor(a) também relutou muito até conseguir encarar a figura de Macabéia. Quem, me pergunto, sabendo já de ante-mão, não relutaria a reviver tal angústia?
Comecei a ler o livro no dia 15 de maio e terminei as últimas 5 páginas ontem, na expectativa de conseguir ir à faculdade para a roda de letura, mas não consegui. Clarice tem razão, ou o autor de Macabéia: precisamos morrer um pouco de vez em quando. Esta foi a minha semana de morte: dor no corpo, ausência de forças, febre. Palavras, não são apenas sons ao vento, são ao ouvido que as compreende. Em mim, penso, ficaram presas, como um corpo estranho ao meu, com o qual ele luta.
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Sincronismo Universal - Farto de fato
Mas do quê falo?
Estive muito ocupada com pesquisas para o seminário desta matéria, embora houvesse uma bibliografia básica, não pude deixar de notar e me incomodar com a minha falta de informação. Descobri um livro, já lido por mim há uns anos, sobre a evolução da escrita. Ao início deste o autor fala de abelhas, como letras, unidades de um todo, como o texto. Há um consenso sobre o simbolismo das abelhas no que tange a comunicação, pois são de fato altamente comunicativas com suas danças. Mas segui o rumo da história da escrita pictográfica à alfabética, passando pelos povos, regiões de ocupação, e tentando entender suas relações de dominação e sobreposição, tarefa talvez um pouco pretenciosa.
Num certo dia, resolvemos alugar uns filmes para as meninas assistirem no fim-de-semana. Pegamos um filme que a mais velha, de dez anos, já tinha sugerido ao pai, e que eu só fiquei sabendo quando estávamos na locadora: Bee Movie. Naquele momento nem podia imaginar que ao assistir encontraria tantas referências iluminadoras. Recomendo o filme para olhos que leiam relações, é riquíssimo!
Fiquei tão entusiasmada que não sabia ao certo o que fazer com toda aquela euforia. Resolvi que iria escrever sobre isso no blog, mas sem computador à mão, peguei uma folha de papel e, não sabendo ao certo por onde começar, comecei a desenhar, pensando que poderia acrescentar-lo ao blog como ilustração. Primeiro fiz o miolo de uma flôr para nele pousar uma abelha. Precisava escrever sobre ela! Por onde começar? Fiz uns hexágonos, por que adoro pensar enquanto desenho formas geométricas e, logo veio uma cachoeira de ligações. Me pus a escrever: "AsBelhas", usando o A para as duas palavras ao mesmo tempo. —"Logico! ABcdefg...". Abaixo do desenho, iniciei um texto talvez impublicável integralmente, mas acredito que possa aqui reproduzí-lo devido às características do espaço.
"Ao desenhar hexágonos pensando em abelhas me deparei com uma estrutura de moléculas (devo trocar por molecular). A união de pontos, numa estrutura tridimensional ou mais, que meus olhos não me permitem conhecer. A passagegm de energia que ocorre nessas ligações também ocorre dentro de mim, que percebo e compreendo internamente.As abelhas são símbolo de unidades que funcionam bem juntas, assim como as letras. Sozinhas não tem razão (de ser), mas juntas, cada grupo desempenha seu papel no todo mais complexo: a colméia para as abelhas, operárias, soldados, babás, faxineiras, zangões e rainha. O texto para as letras, vogais e consoantes, que formam grupos distintos, cada qual com sua função na formação da palavra, frase, texto, comunicação."
terça-feira, 15 de abril de 2008
O conhecimento como base do comportamento.

Os gestos. Começo pelo fim, como acabo de perceber, escrevendo estas duas palavras. Sim, são os gestos que, refletindo nossas percepções, são construídos por nossos hábitos de compreensão. Ora para melhorar, ora para simplesmente repetir um vício. Mas essa repetição nunca é igual à outra. Estamos sempre em relação ao Mundo, embora Este se apresente de fora e de Dentro. Somos Nós, Nele, com Ele, em relação à Ele. Ele está cheio de Eus Nossos. A Relação adequada para se ter com Ele, que está cheio de Eus, é exatamente ter em relação à Eus Nele. Por isso, tudo deve ser levado em conta, tudo que se souber a respeito de tudo, deve ser levado em conta. A conta deve contar e ser contada. Deve ser passado adiante todo o conhecimento necessário aos bons gestos, para que todo ele seja efetivo. Isto é criar a Humanidade para viver a Evolução.
quinta-feira, 10 de abril de 2008
As Palavras de Sartre - O LIVRO
Sartre, Jean-Paul. As Palavras. Nova Fronteira: Rio de Janeiro, 2005.O livro AS PALAVRAS é composto de 176 páginas e dividido em dois capítulos: LER, com 84 páginas, e ESCREVER, com 75. Foi escrito em 1964 por Jean-Paul Satre, que recusou o Prêmio Nobel de Literatura por acreditar que "nenhum homem merece ser consagrado em vida" ou que "nenhum escritor pode ser transformado em instituição".
A primeira coisa que fiz ao pegar o livro foi ler suas orelhas. Foram tão diretas que ao final da leitura, retornando à elas, vejo o quanto resumem a proposta e a postura do autor.
O processo de leitura não foi fácil, embora a leitura em si tenha sido bastante ineressante. Atentar para citações de como a leitura e a escrita foram para ele, já que o livro trata de sua infância e exatamente desse aprendizado, foi uma tarefa que se realizou basicamente como uma análise.
Passagens interessantes sobre seu olhar ao mundo não deixaram de me chamar a atenção, e estando com um lápis na mão, não pude deixar de marcar tais trechos. Ao fim da leitura, fiz uma nova leitura das marcações, para anotar apenas aquelas que diziam respeito à tarefa que deveria realizar. Porém, acredito que não tenha conseguido me desfazer de trechos marcados subjetivamente por terem sido importantes para a minha leitura do autor.
Como, ao final da seleção, f icaram muitos trechos marcados e pretendo trancrevê-los - pelo menos em parte, para que sirva de guia à quem quiser acompanhar com o livro em mãos -, farei mais duas postagens, uma para cada capítulo. Deixo aqui apenas a primeira marcação com comentário a seguir:
A primeira marcação feita foi sobre PALAVRAS CRUAS e PALAVRAS ENCOBERTAS. O quê ele quer dizer com isso? Palavras diretas, claras e abertas, típicas dos Schweitzer, família de seu avô materno, que eram naturalistas. Já as palavras encobertas eram as preferidas de sua Avó, Louise, que gostava de romances, apreciando menos as intrigas e mais os véus transparentes a envolvê-las. A marcação está à página 12 desta edição no seguinte trecho: "Naturalistas e puritanos (…), refugiada sobre o armário, nua e louca."
As Palavras de Sartre - LER
I - LER (p9-92) Vou, por ora, apenas citar os trechos marcados. Posteriormente, pretendo acrescentar meus comentários.
1. "Não basta que minha índole seja boa; cumpre que seja profética: a verdade sai da boca das crianças. Muito próximas ainda da natureza, são primas do vento e do mar: seus balbucios oferecem, a quem sabe ouvi-los, amplos e vagos ensinamentos." (p22)
2. "Além disso meu avô se compraz em amolar os filhos. Aquele pai terrível passou a vida a esmagá-los; eles entram na ponta dos pés e o surpreendem aos joelhos de um pirralho: é de partir o coração! (…) A Natureza fala e a experiência traduz: aos adultos só resta calar a boca." (p23)
3. "Eu ainda não sabia ler, mas já era bastante esnobe para exigir os meus livros. (…) Ela levantou os olhos de seu trabalho: "O que queres que eu te leia, querido? As Fadas?" Perguntei incrúdulo: "As Fadas estão aí dentro?"" (p33)
4. "Tive então ciúme de minha mãe e resolvi tomar-lhe o papel. Apossei-me de um livro intitulado Tribulações de um chinês na China (…) com o Sem família de Hector Malot, que conhecia de cor e, (…) quando a última foi virada, eu sabia ler." (p35)
5. "Deitado sobre o tapete, empreendi áridas viagens (…) Estas palavras duras e negras, só vim a conhecer-lhes o sentido dez ou quinze anos mais tarde e, ainda hoje, conservam sua opacidade: é o humo de minha memória." (p36)
6. "Platônico por condição, eu ia do saber ao objeto; achava na idéia mais realidade que na coisa, (…) Daí veio esse idealismo de que gastei trinta anos para me desfazer." (p37)
7. "Eu gostava dessa incerteza e de que a história me escapasse por todo lado; (…) e oco em toda parte, salvo nos livros." (p40)
8. "Ao cair do dia, perdido numa selva de palavras, (…), julgou chegada a hora de me libertar e o fez tão bem que me marcou." (p41)
9. "Eu achara a minha religião: nada me pareceu mais importante do que um livro. (…). Todo homem tem seu lugar natural; nem o orgulho nem o valor lhe fixam a altitude: a infância é que decide. (…). Sem essa ilusão capital, eu jamais teria escrito." (p43)
10. "De qualquer maneira, me soprava o ministro do culto, o gênio não é senão um empréstimo: cumpre merecê-lo por meio de grandes sofrimentos, de provações modesta e firmemente suportadas; a gente acaba ouvindo vozes e escreve sob ditado." (p45)
11. "Isto quanto aos corpos; no tocante às almas, assediavam as obras; as páginas eram janelas; de fora um rosto se colava à vidraça, alguém me espiava; eu fingia nada perceber, continuava minha leitura, com os olhos cravados nas palavras, sob a mirada fixa do defunto Chateaubriand." (p46)
12. "Ainda hoje, resta-me esse vício menor, a familiaridade. Trato esses ilustres defuntos como amigos do peito: acerca de Baudelaire, de Flaubert, expresso-me sem rodeios e, quando me recriminam por isso, tenho sempre vontade de responder: "Não se metam em nossos negócios. Eles me pertenceram, genios de vocês, eu os tive em minhas mãos, eu os amei apaixonadamente, com toda a irreverência. Vou então andar de luvas com eles?""
"O que acabo de escrever é falso. Verdadeiro. Nem verdadeiro nem falso, como tudo o que se escreve sobre os loucos, sobre os homens." (…) Vejam antes: sozinho no meio dos adultos, eu era um adulto em miniatura, e faria leituras adultas; só isso já soa falso, posto que, no mesmo instante, eu continuava sendo uma criança." (p48)
13. "Visto, eu me via: via-me ler como alguém se ouve falar. Acaso mudara eu tanto desde o tempo em que fingia decifrar "o chinês na China" antes de conhecer o alfabeto? (…), uma voz deslumbrada cochichar: "Mas é que ele ama Corneille!" Eu não o amava: os alexandrinos me desagradavam. Por sorte, o editor publicara in extenso tão somente as tragédias mais famosas, das outras, dava o título e o argumento analítico: é oque me interessava: (…); isso me deleitava." (p50)
14. "A Sra Picard era de opinião que uma criança pode ler tudo: "Um livro nunca faz mal quando é bem escrito." (…) bloqueio muscular." (p73-74)
15. "Os burgueses do século passado jamais esqueceram sua primeira noite no teatro, (…) Desafio os meus contemporâneos a citar a data de seu primeiro encontro com o cinema. (…) Nascida em um covil de ladrões, incluída por portaria administrativa entre os divertimentos de feira, (…) Quando nos demos conta de sua existência, havia muito que se tornara nossa principal necessidade." (p80-81)
16. "Nos dias de chuva (…) A sessão já começara. (…) O pianista atacava a abertura das Grutas de Fingal e todo mundo compreendia que o criminoso ia aparecer: a baronesa ficava doida de medo. Mas seu belo rosto carbunculoso cedia lugar a um letreiro malva: "Fim da primeira parte." (…) As pessoas esfregavam os olhos, cada qual descobria seus vizinhos. Soldados, domésticas do bairro; (…) grandes chapéus palpitantes tranquilizavam." (p81-82)
17. "Inacessível ao sagrado, eu adorava a magia: o cinema era uma aparência suspeita que eu amava perversamente pelo que ainda lhe faltava. (…) Do preto e do branco eu fazia cores eminentes que ressurgiam em si todas as outras e só as revelavam ao iniciado; encantava-me de ver o invisível. (…) Eu me sentia profeta sem poder predizer nada: antes mesmo que o traidor traísse, seu crime estava em mim; (…) Que alegria quando o derradeiro golpe de faca coincidia com o derradeiro acorde! (…) ; eu sentira sua vitória em meus ossos, todavia era a deles e não a minha: na rua, eu voltava a ser extranumerário." (p84-85)
18. "Decidi tomar a palavra e viver como música. Surgia-me a ocasião toda tarde, por volta das cinco horas. (…) sentava-se ao piano e tocava as baladas de Chopin, uma sonata de Schumann, as variações sinfônicas de Franck e às vezes, a pedido meu, a ouverture das Grutas de Fingal. (…)" (p85)
As Palavras de Sartre - ESCREVER
II ESCREVER (p93-168)Aqui, o mesmo: por ora apenas as citações, depois os comentários.
19. "No começo do verão… " (p95) -Aqui já vai um comentário: acabo de devolver o livro e, publicando esta postagem percebi que esta citação não tem fim. Amanhã corrijo com o livro em mãos.
quarta-feira, 9 de abril de 2008
O tempo, o espaço, e a letra
Um lápis em algum lugar
Sem tempo para procurá-lo
Deixei à mesa o papel de cuidar
Vi a hora passar
Mas nada mudou
O papel a repousar
nem sequer me olhou
Um lápis por fim eu achei
Agora poderia escrever
Mas triste fim encontrei
A letra só quiz esconder
quinta-feira, 20 de março de 2008
Um recorte de Sartre (fonte: wikipedia.org)
Desde Platão, quando temos o nascimento da linguagem filosófica (em forma de diálogos), a preocupação desta é o universal em detrimento do particular. E, agora, a existência toma seu lugar na discussão filosófica, partindo de questões cotidianas, e caminhando em direção à universalidade.Órfão de pai desde os dois anos, Sartre sofreu as primeiras influências por parte de sua mãe Anne-Marie e de seu avô Charles Schweitzer, que o iniciou na literatura clássica desde cedo.
Fez seus estudos secundários em Paris, no Lycée Henri IV, onde conheceu Paul Nizan. De 1922 a 1924, estudou no curso preparatório do lycée Louis-le-Grand. Nessa época despertou seu interesse pela Filosofia, influenciado pela obra de Henri Bergson. Em 1924 ingressou na École Normale Supérieure, onde conheceu, em 1929, Simone de Beauvoir que se tornaria sua companheira e colaboradora até o fim de sua vida.
Sartre e Beauvoir não formavam um casal comum de acordo com padrões da época. Ambos possuíam amantes, e partilhavam confidências sobre suas relações com outros parceiros. Este modo de vida violava os valores da tradicional sociedade francesa, que se escandalizou com essa relação.
Considerado por muitos o símbolo do intelectual engajado, Sartre adaptava sempre sua ação às suas idéias, e o fazia sempre como ato político. Em 1963 Sartre escreve Les Mots (As palavras, lançado em 1964), relato autobiográfico que seria sua despedida da literatura. Após dezenas de obras literárias, ele conclui que a literatura funcionava como um substituto para o real comprometimento com o mundo. Em 1964 vence o prêmio Nobel de literatura, que ele recusa pois segundo ele "nenhum escritor pode ser transformado em instituição".

Cronologia
1905 - Sartre nasce em Paris em 21 de junho.
1907 - Morte de seu pai. Muda-se para a casa do avô materno, em Meudon; retorna a Paris quatro anos depois.
1924 - Sartre matricula-se na Escola Normal Superior, em Paris. Conhece Simone de Beauvoir.
1931 - É nomeado professor de filosofia no Havre.
1936 - Sartre publica A Imaginação e A Transcendência do Ego.
1940 - Servindo na guerra, Sartre é feito prisioneiro pelos alemães e enviado a um campo de concentração.
1941 - Liberto, volta à França e entra para a Resistência. Funda o movimento Socialismo e Liberdade.
1943 - Publica O Ser e o Nada.
1945 - Sartre dissolve Socialismo e Liberdade e funda, com Merleau-Ponty, a revista Les Temps Modernes.
1952 - Sartre ingressa no Partido Comunista Francês.
1956 - Rompe com o Partido Comunista. Escreve O Fantasma de Stálin.
1960 - Sartre publica Crítica da Razão Dialética.
1964 - Publica As Palavras. Recusa o Prêmio Nobel de Literatura por acreditar que "nenhum escritor pode ser transformado em instituição"
1968 - Durante a revolta estudantil na França e em várias partes do mundo, Sartre põe-se ao lado dos estudantes da barricada.
1970 - Sartre assume simbolicamente a direção do jornal esquerdista La Cause de Peuple, em protesto à prisão de seus diretores.
1971 - Publica O Idiota da Família.
1973 - Colabora na fundação do jornal libertário Libération.
1980 - Morre em 15 de abril.
quarta-feira, 19 de março de 2008
Contextos da e para a vida.
Na sexta, cheguei na aula de História achando que iam me jogar as coisas em cima, que alguém ia falar que eu me achava a tal, mas para a minha surpresa não foi o que aconteceu. Que bom, meu processo de fala tem melhorado muito, antes eu falava as coisas de um jeito que só fazia inimigos. E não é, sinceramente, o que pretendo em vida.
Como se não bastasse o mal-estar anterior, no domingo fiz uma postagem aqui sobre liberdade ao escrever "Porquês e para quem", em decorrência da leitura do texto da Márcia "Ser autor", postado em seu blog. Estava profundamente incomodada com o tema, afinal, qual era a minha liberdade ao comentar os blogs? E também, agora, com a minha postagem. Será que vão entender o que quero dizer? Ninguém cometou ainda... Será que apago? Não vai adiantar, já foi por e-mail e a Márcia já já vai saber!
Resolvi me conter e desviar meus pensamentos para ficar menos angustiada. Foi quando anteontem, folhando a veja que estava ao alcance da mão livre, enquanto a outra segurava um cigarro, cheguei à matéria sobre livros. Na foto um Senhor, na legenda o texto: "Evanildo Bechara: o encanto com o estudo de línguas fez com que ele desistisse da engenharia". - Detalhe: a princípio, havia lido Evaldo (conheço um Evaldo Bertacco, artista plástico). Ah, que interessante - pensei, sem me dar conta de que havia lido o nome errado -, e comecei a ler o texto.
Autor da "Moderna Gramática Portuguesa", ele chama a atenção para alguns preciosismos da língua como "risco de vida" e "correr atrás do prejuízo" entre outros. Achei deveras interessante a argumentação, corretíssima! No primeiro caso, corremos um risco de morte, e no segundo, diz ele, vamos sempre atrás do lucro. Eu já estava dialogando com o texto, quando Bechara me disse condenar o uso das regras do português como ferramenta de opressão. Concordei, não é a minha intenção oprimir ninguém, muito pelo contrário, estou fazendo o curso para descomprimir o ser humano! Ele entendeu. Mais adiante ele disse: "Os sociolingüistas acreditam que ensinar a língua-padrão é uma forma de preconceito social. É um erro. O domínio do padrão é parte essencial da competência lingüística do falante". Com certeza, para uma boa transmissão, ambos, o leitor e o escritor, devem ser competentes em suas funções. Caso contrário, a incompetência de um torna o outro também incompetente! Será? E se for, o que fazer?
Veio à minha mente o texto de domingo, quando li a frase mais interessante do texto: "A língua reflete a liberdade do homem. É uma disciplina em que existem regras, mas acima delas está a intenção expressiva de cada falante e de cada escritor." Adorei o encontro! Ah, o livro da matéria é: "Homenagem: 80 Anos de Evanildo Bechara" (Nova Fronteira/Lucerna; 200 páginas; 29,90 reais). Mas como diz Cláudio Moreno, professor de português aposentado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e coordenador do programa de português do Colégio Leonardo da Vinci, de Porto Alegre: "A Moderna Gramática Portuguesa é o melhor que o Brasil tem em termos de gramática. Bechara é um acadêmico tradicional que os que querem ser modernos deveriam ler".
Para quem quiser tirar dúvias de escrita, gramática, morfologia, semântica etc..., achei um link muito útil (Info escola - português), que está disponibilizado na minha lista de links: Linkando ao mundo. Bom divertimento para quem quiser pesquisar antes de escrever!
E para quem quiser ver a matéria do Evanildo online: clique aqui
A leitura em voz alta - João Cabral de Melo Neto
Embora fosse um nome familiar, não sabia exatamente quem era ou fôra João Cabral. Um escritor, presumo, e segui a leitura, tentando incorporar o personagem, que me parecia saber muito bem do que falava, e ter uma oponião bastante rígida a respeito do assunto tratado.
Ao final da leitura ficou uma grande e geral inquietação, causada pela sua afirmação de que na escrita conta mais o planejamento do que a inspiração. Outros pontos também foram questionados, como por exemplo o fato de relacionar a poesia ao ato de construção de uma casa, e ainda dizer que seu planejamento era de fora para dentro.
Confesso que como leitora, ou oradora no caso, apreendi algumas idéias erroneamente, e na discussão pude reparar essas falhas para melhor compreender o texto. Mas ainda assim, fica uma questão bastante pertinente:
Se a inspiração pode ser entendida como o ato de preencher os pulmões (que estão dentro) de ar (que se encontra fora), que dentro do organismo será processado, liberando o oxigênio que chegará às células, que o absorverão e devolverão o gás carbônico; e depois disso ocorre a expiração, que consiste na expulsão desse gás para o ambiente; e se fizermos a relação disso com o processo de planejar de fora para dentro, de incorporar o que está fora, processar internamente, e produzir algo no ambiente externo, não vejo como podemos escrever sem inspiração. Aliás, não vejo como pode-se distinguir o planejamento de um texto do ato de respirar.
A gente costuma até dizer:
Precisa escrever?
Inspire fundo e mande ver!
sábado, 15 de março de 2008
Porquês e Para Quem
O discurso que chegue inteiro ao leitor, ou apenas fragmentado? Como saber a que ponto o leitor é capaz de ir para compreender ou acompanhar seu texto? Que leitor é o brasileiro? Se é que podemos generalizar o termo, sem preconceito!
Quem lê um texto lê oque? Lê a si mesmo! O ser completo e por completar. O ser social e cultural, consciente e inconsciente de si, que usa o texto para conhecer mais, mas por pretexto a si mesmo.
O texto que busca conscientizar é deveras pretencioso. Como saber se o leitor já possui aquele conhecimento?
O texto que informa pode ser pouco. Como saber se o leitor já conhece alguns termos necessários ao seu discurso? Será que devemos escrever um "tratado", ou meias-palavras bastam?
Qual o melhor texto para cada situação? Em prosa ou poesia? Qual possibilita, e para quem, a maior liberdade de expressão/compreensão? É isso que se busca na escrita? A liberdade? De quem?
Dúvidas! Estas são as pérolas mais preciosas.
quinta-feira, 6 de março de 2008
Amores Difíceis: A aventura de um leitor - Ítalo Calvino
A leitura começou assim que sentei na salinha da escola onde estou fazendo a adaptação da minha filha de dois anos e meio. Tenho feito leituras nesta sala nos últimos dias, e devo concordar com quem tem dificuldade para ler com barulho, ainda mais barulho de criança pequenina; que cai, chora, grita e vem sempre dar uma olhadinha para ver quem é aquela pessoa que está sentada na salinha dos professores.Bem, fui despreparada, sem o tal dicionário sugerido pela Márcia na aula passada. Paciência, resolvi sublinhar as palavras e depois procurá-las. Aliás, acabo de colocar no Blog um link para o Michaelis online, e vou aproveitar este momento para repassar as palavras que achei interessante pesquisar, embora algumas eu tenha sempre inferido seu significado.
Consegui ler as primeiras sete páginas do texto, quando tive que parar, pois hoje em vez de sair as três e meia, me disseram para sair antes. Marquei o ponto em que parei e fui falar tchau. Saí e fui resolver umas matrículas no clube, tomei um café e sentei em uma cadeira à sombra para continuar a minha leitura. Como continuava sem o dicionário, fui riscando as palavras que se me perguntasse o significado, gaguejaria para responder, e muito provavelmente responderia não saber.
A leitura foi mais rápida do que imaginava que seria, e como hoje é meu dia de rodízio, cheguei mais cedo no curso. E aqui estou eu, falando mais do meu processo para conseguir ler o texto, do que o meu processo de leitura propriamente dito, ou seria lido?
Bom, A leitura foi fácil e prazerosa, mas faltaram as palavras.
Ei-las:
- PROMONTÓRIO-Porção de crosta terrestre, no litoral de um continente ou ilha, que avança para o mar, apresentando estreitamento da sua largura entre a terra e a sua extremidade.
- IÚCAS-(não achei no dic., mas no google sim: As iúcas podem atingir uma altura considerável (até 12m) no seu habitat natural, ... As iúcas cultivadas no exterior produzem panículas de flores com um – mas o link não funcionou!) Aí achei na Wikipedia a descrição e uma fotinho, embora hajam mais de 40 espécies.
- CONCIERRGERIE-Não achei!
- DESDENHAVA-1 Mostrar ou ter desdém por: "Desdenhar de filosofias" (Machado de Assis). vtd e vti 2 Desprezar como indigno de si: Desdenhava a frivolidade. Não desdenho de ser o autor deste livrinho. vtd 3 Repudiar com desdém: Desdenhava a bajulação. vtd 4 Considerar desdenhosamente; menosprezar: Sempre desdenhou as coisas do país.
- SOPESÁ-LOS-1 Tomar com a mão o peso de: "Tomou o animal, sopesou-o com ambas as mãos" (Júlio Ribeiro, ap Fr. Fernandes). vtd 2 Equilibrar tomando o peso; suspender na mão; suspender e vibrar para o arremesso: Sopesar a lança, o dardo. vtd 3 Sustentar o peso de: Os esteios sopesam o telhado. vtd 4 Conter, sofrear, sopear: Sopesar a irritação, o mau-humor. vtd 5 Distribuir com regra e parcimônia: Sopesar os gastos. vpr 6 Ficar em equilíbrio; equilibrar-se: O acrobata sopesava-se no delgado cabo. Sopesa-se nas asas (a ave, o avião). vpr 7 Fugir (a ave) começando por dar saltos diante do caçador.
- FORNIDAS- 1 Carnudo, nutrido, robusto. 2 Provido, abastecido.
- INTERLÚDIO- Trecho que se intercala entre as diversas partes de uma longa composição.
- ATORDOADO-1 Causar atordoamento a: O homem o atordoava. Atordoava a criança com o muito balançá-la. vint 2 Causar abalo ou perturbação dos sentidos: A bajulação atordoa. vint 3 Ficar estonteado. vtd 4 Causar assombro a; maravilhar. vtd e vint 5 Importunar, molestar os ouvidos.
- ACEDEU-1 Aderir, anuir, aquiescer, assentir (à opinião, ao convite, à proposta de alguém): Aceder ao convite. Acedeu facilmente. vti 2 Conformar-se: Aceder ao imperativo da situação. vti 3 Dir Conformar-se, nas concordatas, com o estipulado pela maioria dos credores. vtd 4 Acrescer, ajuntar: "À clareza... acede elegância mais formal e positiva" (A. F. de Castilho).
- ENLEVO-1 Ato de enlevar. 2 Arrebatamento, arroubo. 3 Coisa que maravilha; assombro. Pl: enlevos (ê).
quarta-feira, 5 de março de 2008
Minha história de escrita
Lembro de uma de minhas primeiras redações cujo tema era o apavorante: "Minhas Férias". Fiquei a olhar o papel por horas a fio, para mim uma eternidade, mas na verdade foram minutos pois a aula demandava a escrita da tal redação. A professora orientou que quem tivesse dificuldade ou quisesse, poderia fazer um esquema para ajudar a elaborar o roteiro da redação. Plim! Era o que eu precisava! Poderia usar caminhos de linhas para ligar as lembranças de todos os acontecimentos, e ainda fazer flechas ou até mesmo numerar para poder ordenar todos os fatos e assim elaborar a dissertação.
Lógico que não me passavam pela cabeça essas nomenclaturas, mas a idéia de poder fazer quadrinhos com os fatos, ao invéz de redigir um texto que os contivesse era para mim muito mais atraente. A lembrança, ou melhor, a sensação que tenho é de que apesar de achar que o método fosse me ajudar, não consegui redigir um texto coerente. Tenho no fundo uma sensação de mal estar ao lembrar desta situação. E asim foi, durantes os próximos anos, que seguiram à minha terceira ou quarta série primária. Aquele acontecimento, aquela dificuldade, persistiu ecoando por um longo tempo.
E o tempo passou e o medo de escrever continuou. As provas vieram e História era um terror! Além de ter dificuldade para entender os fatos, - pois não concordava com eles e logo me colocava a pensar em novas soluções para o passado, o que era por si um absurdo, mas não para mim -, ainda tinha dificuldade para redigir um texto coerente. Imagine! Escrever sobre um acontecimento que para mim não era justo de ter acontecido! E se eu escrevesse era como se eu concordasse com aquilo!
É, só fui ter conciência de que este era o ponto crucial, numa conversa com meu professor de filosofia no segundo colegial. Quando fui indagar o fato de todos os meus comentários em aula serem taxados de subjetivos, quando na verdade achava que eram extremamente úteis objetivamente. Foi ótimo! Uma gelada, foi o que ele me deu, com o sorriso mais amável que podia ter expressado. Ele disse: — "Não queremos saber o que VOCÊ pensa sobre o assunto, queremos entender o que o FULANO quis dizer. Quando você faz comentários do seu ponto de vista, você afasta a discussão que estamos fazendo das idéias de Fulano. Este não é o objetivo do curso, por mais que as suas idéias sejam interessantes." Talvez as aspas não sejam adequadas, pois obviamente não foram exatamente estas as palavras ou frases utilizadas em seu discurso, mas o conteúdo é precisamente este, e as aspas estão como um recurso para que o discurso possa ser exposto.
Bastou! Anos de sofrimento, de incompreensão, de olhares tortos, de notas baixas em matérias que exigiam redação. Sim a distinção entre o Objetivo e o Subjetivo tinha feito a diferença. Desde então, me esforço para não fugir ao que o autor discute, mesmo que não concorde. A idéia de um texto novo é sempre uma expectativa, mas bastante controlada. Quando acho algo que concordo, leio de novo atentamente para ter certeza de que posso estimar o autor. Mas deixando a leitura de lado, pois estou tentando falar da escrita, o fato ajudou muito, principalmente porque estão interligados, acredito eu. Não podemos escrever bem se não soubermos ler corretamente. Para atingir um leitor é preciso ter a experiência de alcançar um escritor durante a leitura de seu texto.
E foi assim, com esse controle, não na ponta de língua apenas, mas na ponta dos olhos, que eu pude discernir o que era relevante, o que era a causa e qual era o objetivo do texto. Aliás, ficou tão mais fácil não ter que provar os meus argumentos, mas apenas citar os argumentos utilizados por outrem, que já partia da idéia do objetivo da resposta e tinha que fazer o caminho inverso para poder redigir um texto coerente com começo meio e fim. Assim, sempre me vejo escrevendo ao contrário, achando fatos anteriores e tendo que apertar o rascunho para colocar novas anotações. São rascunhos e mais rascunhos: rascunho de idéias, rascunho de texto cru, rascunho mais elaborado, e assim sempre foi do rascunho do rascunho até o texto final. Ainda bem que já há um tempo, com o uso do computador, o processo ficou muito mais econômico, tanto ambientalmente - em relação ao papel gasto -, quanto em relação ao arquivo utilizado.
=>Este texto foi escrito em etapas: primeiro o parágrafo final, depois toda a história sem parar de escrever, e por fim, o paragrafo acima foi adaptado para seguir a mesma linha do texto que acabou. Agora vou fazer uma leitura para ver os erros de digitação e concordância. Obrigada pela paciência de quem teve para ler o que aqui está escrito. (Fiz pequenas correções, mas o texto continua com o desabafo característico deste momento.) Abraços a todos!
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Leitura de "Felicidade Clandestina", de Clarice Lispector.
